3 Julho 2008 às 1:48 pm · Arquivado sob universo
(…)
Reparo que escondemos a eletricidade. Em nossas residências e apartamentos urbanos, as tomadas não podem aparecer. Ficam no rodapé do chão, intrusas e insensíveis. Fios e fios nos cantos para não denunciar sua origem.
No interior, as casas têm tomadas no centro das paredes. No meio. E não são feias, não são grotescas; são sinceras. Fáceis de encontrar. Como deveria ser a vida quando precisamos escutar o próprio corpo. Seus longos silêncios e curtos tremores. Seu inverno.
[Carpinejar]
……………………………………………………………………………………………
- tenho miopia inversa, preciso de distância para enxergar . agora é momento de solidão e não precisa ser doloroso. os dias interioranos recriam significados e o silêncio faz eco no meu corpo. o inverno me põe quieta e meus pensamentos por pouco se calam. alimentos só da terra e água do poço da consciência. aos meus olhos a beleza é simples. meu começo é água morna: ilhas e serras, brejos e riachos. meu desejo é braços d’gua, fogueira alta, floresta fechada e gente encantada.
29 Junho 2008 às 2:18 pm · Arquivado sob fragmentos
- tempo de eleger o que cabe bem a minha volta.
ficar atenta ao (en)giro do corpo.
ouvir coisas doces, tocar pele-algodão
beber cor, nutrir fios e botões.
desconstruir pré-conceitos
escalar vôos- asas nos pés
repetir em outras línguas.
plantar alegria, colher cantoria
me acompanhar da sabedoria.
- tempo de assumir escolhas minhas.
renatamar
porque quero como Drummond conjugar o verbo pluriamar!
26 Junho 2008 às 7:03 am · Arquivado sob fragmentos
de mim
que sou bruma
e noite
às vezes lua
quase nunca madrugada
inútil falar a ti
que és pedra e rio e sol a pino
: não entenderias.
Márcia Maia
20 Junho 2008 às 12:51 am · Arquivado sob fragmentos
palpita em mim um querer de água doce e caminho de terra úmida. me ocupa um verde mata, céu azulejado e um misterioso canto de pássaros. esses dias brotam em mim uma felicidade estampada, um flor no mamilo do peito e um sorriso certo a beira da resposta. meus dias desconhecem a guerra são semeados pela criação. tem vista, cheiro e gosto de arte. se espalham como quem correm. correm como quem voam. meus dias recebem nome, mês e ano e seguem o calendário-meu-tempo.
(de novo) sou preenchida de uma saudade estranha, de um gosto além. na memória de meu corpo há registros: uma fragrância constante ; um gosto que sinto sem provar; uma distancia que consigo sentir; um fogo que posso tocar. conheco essa urgência. bebo a intensidade. me entrego ao sentimento. me divido, me multiplico e me (des)fragmento até (re)-in ventar.
renatamar
19 Junho 2008 às 3:04 pm · Arquivado sob universo
Movimentos gigantes e sutis.
Delírios pensantes.
Beringelas sorrindo.
Um palpite chegando.
- DelMar
Não sei o que ele quis dizer com berigenla sorrindo mas o palpite, eu entendi! (rs)
17 Junho 2008 às 10:19 pm · Arquivado sob universo
saudade…
do seu cheiro…
doce.
da sua cor…
verde? amarelada?
do seu sentido…
mais sentido!
da sua santa cura!
tragada…
[dela : a matuta moderna]
9 Junho 2008 às 4:22 pm · Arquivado sob universo
“(…) Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem.”
Caio Fernando de Abreu
3 Junho 2008 às 4:23 pm · Arquivado sob universo
(…)
Confesso:
Sou amante do invisível:
nunca da ilusão!
[ Bruno Delecave ]
porque aguardo sem pressa o segredo que tens a me revelar. mas o tempo que me pedes pra esperar começa a nos afastar, de novo. assim minha certeza do invisível se desfaz a cada promessa não cumprida, a cada frase interrompida, a cada olhar fugitivo. porque não basta está por perto é preciso nos encontrarmos, encarar o que nos causou essa distância e desabrochar. porque é preciso de tempo junto. porque o que tenho a te dizer é diário. porque o que tens a me dizer é eterno. porque somos livres, mas há o que fazer. não é a liberdade que nos atrapalha, é o medo. por ora, eu sei do inivísivel mas não posso completar sozinha.
29 Maio 2008 às 12:27 pm · Arquivado sob fragmentos
Na tranquilidade de uma saudade repousei minhas velas distantes
esperei novo vento em pôpa e prosa
e me alimentei dos tatuís desta praia remota em banco quase sem fim
Quase enlouqueço de brizas mornas que em meu corpo flutuaram como naves ansiosas
e, notando um horizonte de possibilidades e calmaria
sacudi o mar em revolta minha
e um mar revolto cresceu buscando a sua volta
arriscou pedir à algum Deus em ritual magnífico um presente que fosse o nosso futuro
Até mesmo as sereias vieram buscar na minha saudade inspiração
Até mesmo as sereias sentem saudades
caboBruno
27 Maio 2008 às 9:57 pm · Arquivado sob universo
Por esses dias pintados de um meio tom lilás me habita um querer de ganhar asas pra seguir passos pássaros, pisar chão esmeralda, assobiar riso grave. Um querer de me embebedar em palavras - sílaba por sílaba - e garimpar corpo-ouro.
Por esses dias cresce uma vontade de estender em mim outra história. Me encontrar nos labirintos de sonhos, saltar de pensamentos, me atirar de precipícios como quem decide enfrentar tempestades. Me nasce um querer de alaranjar pôr-do-sol potengi, sossegar nos braços-conforto, deitar sobre um corpo são e vibrar no ritmo de sua respiração. Meditar só aumenta a vontade de me sentir inteira, dividir territórios, tocar-somar os dedos. Meu bem querer de acertar junto, fazer coro.
Por esses dias de vermelho-sol e espectro-chuva brota da fantasia de minhas sensações um querer de embrulhar olhar e guardar na minha caixa de pandora pr’eu achar na hora que procurar. Em mim cintila, esquenta, inflama uma vontade de agarra cabelos, beijar ombro, cruzar costas, escorregar mãos, confundir pernas, submergir.
Por esses dias teu nome, bendito, amanhece café e adormece vinho comigo.
*
renatamar