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Brio

7 Abril 2018

Estou aqui em casa
parada
tentando entender aonde foi parar o amor
sobterrada na areia das roupas ?
Arremeço  aos gritos minha necessidade de espaço
paredes, muros, grades,papeís, ofícios,telas
E choro, choro
Uma vontade de compartilhar sem depender
Uma vontade de criticar sem ofender
Uma vontade de se reinventar junto
Uma vontade de
Uma vontade de só ser
Ensaio passos de dança pelo corredor
Danço para mim
Não vejo ninguém, Ninguém me vê
Estou aqui em casa
sentada
tentando entender aonde foi parar o amor
entre ervas daninhas da calçada ?
Arremeço aos gritos minha necessidade de espaço
paredes, muros, grades,telas
E choro, choro
Com vontade  explodir essa raiva
Com vontade de zerar esse jogo
(psico-politico-economico-socio-cultural)
Com vontade de não me ver no lugar do preso
Com vontade de parar todas armas que ameaçam
a liberdade de procurar o próprio amor.

 

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Ri Irene Ri

24 Março 2018

Hoje lembrei de você com amor e só ri , Irene.
Viajei à Natal, à Vila, ao Forte,
ao cajueiro, ao pé de amora,
a ternura de Chiquinha , a infância de Maria.
Já não era mais noite de São João.
Já não ardia mais teus olhos no meu corpo.
Já não feria mais tuas mãos em meu pescoço.
Com o tempo passou
cicatrizou por si só
a dor
virou ponte.
Tua lembrança volta como chuva na cabeceira
sorrio transbordando cidades
rompendo pontes, desmoronando terra
isolando distâncias
dentro de mim
qualquer tentativa de aproximação geraria onomatopeias
e alguma mudança no clima que não sei prever
Quem vê percebe
que ainda tem vespas e aspas demais sobre a luz da nossa história.
Há trégua, há paz
Mas é aprendizado de infância
que perdão é selado com abraço.
e hoje
mesmo na presença do amor
é difícil te ofertar
Sou rio perene, Irene
Já só rio
Já sou rio.
Ri Irene Ri.

[renatamar]

Boca

24 Março 2018

Os dentes granulam feito açúcar
Tenho a boca ferida pelas palavras não ditas
Curió canta histórias à minha janela enquanto teço mandalas à fio
Hoje nem mulher, filha, nem prima, mãe, esposa, nem amiga
Sou
Algo é tecido e destecido
Feito tecelagem andina em mim
Desde de quando essa vontade enche minha cabeça
Polvoreio coerência entre a palavra e o impulso
Afivelado em mim está
a um toque do olhar senti que me sentia (Será?)
O amor é coisa de vivo
Com o corpo sei de tristezas que as palavras desconhecem
As vezes há que se gostar velado pra não malversar o coração
Sinto o suor solar noturno
como se me drogasse de antigos perfumes
Noto as baías de Ponta Negra à Tabatinga
desemaranhando nossas intimidades
Nunca foi mais do que dois beijos
entre a palavra e o impulso
e essa vontade que enche minha cabeça
e cura as feridas da boca com minha própria saliva.

[renatamar]