Monja urbana

22 Fevereiro 2017

Faz jejum
Se desitoxica na floresta
mas quando chega na cidade
come doce
fuma cigarro
e beija
meninos e meninas.

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Dois homens

22 Fevereiro 2017

Chove forte na vereda
estou a sós como a muito tempo não fico
sem homem, sem menino
em lua
entre lótus e antúrios
o silêncio intue um nome
poeisa espelha, espalha, espanta
o desejo me dedilha
fumo erva e tomo banho de chuva
feita espantalho
para afastar pássaro
Tenho amor ao lado
fincado
mas em campo minado.
Não saberia que erupria de novo
o desejo
por seus lábios
o seu peito
os seus braços
em meu peito
na minha língua
por inteiro.
Olhos palpitam como o coração
O corpo fotossintetiza a presença
Estou amando dois homens
Não há possibilidade de abandono
só completude.

Que a poesia me salve desta noite.

7 Novembro 2016

É noite
meu filho se distrai com propagandas
sei da notícia de mais um amigo em suicídio
O soco no estômago dura o tempo de três cigarros.
Me pesa o mundo
Me doi a alma
Tristeza entubada
Raiva Cristalizada
Mente disparada
Acentuada frustração
Sono em alta
falta, falta, falta
Não sei o quê
tanta falta faz falta
Nessa casa de poucos amigos
Nesse mundo de contradições
Não há humanidade para uma tristeza pouco grave
Não há afago para uma dor convexa
Não há falas nem silêncios
Não há escuta
Só essa indiferença cega
Corpos esquizomórbidos crescem…
Que a poesia me salve desta noite!

[renatamar]