Vale do silêncio

7 Dezembro 2017

Serpentino uma rota entre Açu e Natal
desde da janela os dutos são longos
pedra é muita
água é pouca
e essa adutora é para quem?
Vejo de fora o Pico do Cabugi anunciando tardança
O menino dorme no exprimido de gente
Mãe nem levanta
Intensifico o pensar no caminho
Apagar os seus olhos dos meus
Declinar minha boca diante da sua
Reservar seu perfume do meu
Tocar apenas sua alma sem pele por baixo do coração
E sem você saber, homem
Em silêncio sempre em silêncio
Seguir te amando a distância
na estrada
Seguir te amando a distância
em qualquer praça
Seguir te amando a distância
em casa
e a sós
sagrar o afã silencioso desse amor.

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O tom de zé

10 Novembro 2017

Os dedos vinham deslisar no ombro
como a pedir licença
a uma desconhecida na multidão
Antes que levantasse a mão
O rosto vira como quem
reconhece os passos de quem chega
No encontro
Não há setença, não há surpresa
O olhar guaraniza
Não se esperavam
Nem desejam-se
Não é Natal nem é São Paulo
O tempo alarga
As costas dos dedos tocam
Os pés se afastam. 

Hoje poderiam…
Mas hoje ela não pode
não audacía
sustentar o olhar
Hoje poderiam…
Mas hoje ele não pode
sofreado em fantasmas
desestima o amor
Não é tragável ter-los assim tão perto.
Tanto já passou
mas parece ainda há tanto que passar
para um dia voltarem
a mirarem-sem a memória
desse tom
que ameaça.

[renatamar]

 

Ferro velho

9 Novembro 2017

Exposto
O tempo nutre
a ferrugem
Gota à gota
Sol à Sol
Até o pó.