El negro se fue

14 Janeiro 2019

El negro se fue
Homens choram como criança sem pai
O século  XXI caminha sob ameaça atômicas
da guerra, do racismo, do feminicídio,
da escravitude burocrática
pisa sobre os direitos humanos
envenena os solos e os corpos
destorce a masculinidade
e alimenta a vida precarizada
dos filhos sem pais
dos filhos de mães pobres
dos filhos que precisam partir porque não tem o que compartir
El negro se fue
entre a rejeição e a falta de oportunidades
cresce
ainda forte, ainda vigoroso, ainda que…
El negro se fue
Distante da família
Voltando da escola
Em um lugar que ele chamava de casa
Ou naquela vereadora mais votada
e  que acabou assassinada com num sei quantos tiros na cara
em praça pública, nos movimentos sociais, na vida privada
quem luta por conscientização
chora
todos choram
até os homens choram
por matar e morrer pagamos dólares
mas não há vida que valha menos
Quem sua consciência tem coragem de negar o corpo a uma mãe?
Quem em sua consciência tem coragem de invisibilizar a história?
Que ser humanos estão vivendo nesse mundo
Enquanto el negro se va?

Anúncios

Paisagem vazada

12 Janeiro 2019

A lua inaugura o céu
nesses dias em que verter
mel entre as pernas
e enxugar com as mãos
exala um cheiro próprio
em
Vasos
Vasos plantados
Vasos inflamados
Vasos entupidos
quebrados
Vasos
Chacras em chamas
Beira ao ódio e a ira contida das injustiças
A raiva quente dentro da gente
vaporiza notícias
de um mundo ainda possível
Beber água e chorar
com a mesma fúria de quando
a natureza cobra e cura
É preciso acalmar os nervos e os ânimos
Ninguém mais aqui em mim te quer Guerra
Os dias passam acompanhados
de livros, legumes e crianças
que se ocupam em secar as gotas
que pessoas sem cuidados
atiraram e derramaram pelo chão. 

[renatamar]

Caio

16 Dezembro 2018

Muro carraspento
Cesta de café da manhã
Foto na carteira
Motor ligado na frente de casa
Vestígios que estampam tua fisionomia
Caio
sorrindo
Quem já trilhou consentido
alguns desses caminhos
quando voltará
sob arrepios de pele
ao ventre fértil
suas mãos justas e amorosas?
Caio sorrindo
Me acena em abundância paz e fortaleza
Se me vês o que se revela?
O silêncio desertifica o perfume da noite
Aceno e acento luz à integridade dos nossos corpos
Amo as mulheres que te amam
Amo os homens que me rodeiam
Caio
sorrindo nos escombros
e na ruína do rastros
do que um dia já foi
ou poderia ter sido.

[renatamar]