Eu sigo aprendendo a encontrar miudezas sem a companhia de seu olhar. Evito seu nome porque o que era só saudade agora carrega uma pitada de dor. Tem dias que o pensamento vem como ressaca de maré, e destroí esse muro de faz de conta que eu criei pros dias sem o teu luzir castanho. Culpa do meu coração que atiça o vento e alimenta a corrente pra fazer o mar me acordar. E acordo ainda tão assustada de ver além do muro eu e a imensidão – céu, mar e areia.
É bom viver aqui no mar, mas desde que conheci a paz do teu lugar, dei pra sonhar com as alturas. Os bichinhos do mar ficam bravos comigo pedindo pra eu deixar de teimosia e continuar meu navegar. Mas eu, tal qual uma estátua de areia, tenho o olhar fixo no horizonte e só repito minha vontade de viver no teu mundo, painel dos astros e terra vermelha.
Passarinho não ensinou peixe a voar, agora vivo na beira d’água esperando um dia você voltar.
18 Julho 2009 ás 022:045
admirável